Filosofia e Sociologia

Comentários para auxiliar no aprendizado da Filosofia e da Sociologia

quinta-feira, 17 de setembro de 2009

TRABALHO NO MUNDO DE HOJE

O TRABALHO FLEXIBILIZADO E MUNDIALIZADO

                O sociólogo brasileiro Octávio Ianni (1926-2004), no artigo “O mundo do trabalho”, publicado em 1994 no periódico São Paulo em perspectiva (Seade), afirma que todas as mudanças no mundo do trabalho são quantitativas e qualitativas, e afetam a estrutura social nas mais diferentes escalas. Entre essas mudanças, ele aponta o rompimento dos quadros sociais e mentais que estavam vinculados a uma base nacional. Ele quer dizer que hoje, com o trabalho flexível e volante no mundo todo, pessoas migram para outros países em busca de trabalho. E, assim, nos países a que chegam, geralmente vivem em situação difícil, desenvolvendo trabalhos insalubres e em condições precárias. Além das dificuldades de adaptação, com freqüência enfrentam problemas de preconceito racial, religioso e cultural.

                O fenômeno dos decasséguis, os brasileiros descendentes de japoneses que se deslocam para trabalhar no Japão por curtas ou longas temporadas, é a expressão bem visível desse processo. Trabalham mais de 12 horas por dia e são explorados ao máximo. Alguns, mais qualificados, conseguem bons empregos, mas a maioria não. A esta restam as opções de voltar ou de lá permanecer marginalizada.

EMPREGO: O PROBLEMA É SEU

                [...] todos os assalariados de uma empresa, não importa qual seja o seu nível hierárquico, não sabem nunca se serão mantidos ou não no emprego, porque não é a riqueza econômica da empresa que vai impedir que exista redução de efetivo. Vou dar o exemplo [...] da Peugeot e da Citroen, que conheço bem, na França. É uma empresa que está funcionando muito bem. Ela passa seu tempo a despedir as pessoas de maneira regular. Isso é perversão, mas a perversão está ligada à psicologização. O que quero dizer com isso? Poderão permanecer na empresa apenas aqueles que são considerados de excelente performance. [...] Isso é psicologização, na medida em que, se alguém não consegue conservar o seu trabalho, fala-se tranquilamente: “mas é sua culpa, você não soube se adaptar, você não soube fazer esforços necessários, você não teve uma alma de vencedor, você não é um herói.” [...] quer dizer: “você é culpado e não a organização da empresa ou da sociedade. A culpa é só sua.” Isso culpabiliza as pessoas de modo quase total, pessoas que, além disso, ficam submetidas a um estresse profissional extremamente forte. Então as empresas exigem daqueles que permanecem um devotamento, lealdade e fidelidade, mas ela não dá nada em troca. Ela vai dizer simplesmente: “você tem a chance de continuar, mas talvez você também não permaneça.”

ENRIQUEZ, Eugéne. Perda de trabalho, perda de identidade. In: Nabuco, Maria Regina, Carvalho Neto, Antonio. Relações de trabalho contemporâneas. Belo Horizonte: IRT, 1999. p. 77

1.       Qual é a principal relação entre os dois textos?

2.       O emprego é uma questão pessoal, social ou ambas? Desenvolva.

TOMAZI, Nelson D. Sociologia parra o ensino médio. São Paulo: Atual Editora, 2007. p. 53-54

criado por manoel.pequeno    16:24:47 — Arquivado em: Terceiro Ano

MOVIMENTOS SOCIAIS NO BRASIL

MST URBANO OU MOVIMENTO DOS SEM-TETO

                Há no Brasil um movimento social que não aparece muito nos jornais e na televisão: o Movimento dos Sem-Teto, atuante principalmente nos grandes centros urbanos, como São Paulo, Rio de Janeiro e Belo Horizonte. Os sem-teto agem de modo organizado. Uma das formas de pressão que adotam é a ocupação de imóveis. As ações envolvem de cem a duzentas famílias, que se instalam no local escolhido e informam às autoridades que passarão a viver ali, mesmo em condições precárias, até que lhes seja propiciada uma opção de moradia.

                Quando a polícia, em conseqüência de uma ação judicial, força a desocupação do local, os sem-teto procuram outro imóvel e organizam nova ocupação. Os alvos mais freqüentes são imóveis velhos desocupados, em geral edifícios abandonados por proprietários que deixaram de pagar o Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU), forçando o poder público a desapropriá-los. Em alguns casos, sob a pressão dos sem-teto, os governos declaram esses edifícios de interesse social, possibilitando que se tornem moradia para quem não a tem.

                A maioria dos participantes do Movimento dos Sem-Teto são trabalhadores que não tem condições de pagar um aluguel, mínimo que seja, ou que não querem morar na periferia, pois não tem recursos para pagar aluguel e transporte até seus postos de trabalho. Há entre os sem-teto trabalhadores que ganham no máximo um salário mínimo, e muitos desempregados.

A REVOLTA DOS ESTUDANTES

                Na terceira semana de setembro de 2003, milhares de estudantes de 12 a 22 anos paralisaram por três dias a capital da Bahia, Salvador, manifestando-se contra o aumento das passagens de ônibus. Em ações relâmpago, eles invadiam as principais ruas e avenidas e bloqueavam o trânsito, sentando-se no chão para impedir a passagem dos veículos.

                A manifestação ocorreu sem nenhuma articulação de organizações estudantis; muito ao contrário, os estudantes negaram a possibilidade de liderança tanto da União Nacional dos Estudantes (UNE), quanto da União Baiana dos Estudantes Secundaristas (UBES), pois não queriam ser acusados de servir como instrumentos políticos dessas organizações, que, na expressão deles, possuem vinculações partidárias. As ações relâmpago eram definidas em miniassembleias e em cada ponto da cidade decidia-se quem podia passar ou não. A preocupação era não prejudicar as pessoas que necessitavam chegar ao local de trabalho, além de garantir o livre trânsito de mulheres grávidas, idosos e portadores de alguma deficiência.

                Em sua maioria, os participantes das manifestações eram alunos que viviam na periferia da cidade, o que significa que os gastos com transporte tinham um peso importante no orçamento familiar. Com o movimento, eles conseguiram que o prefeito e seus auxiliares sentassem para discutir o aumento e a implantação da meia passagem para os estudantes.

 

1.       Os dois movimentos focalizados são diferentes, mas tem pelo menos um ponto em comum: a pressão para que as ações governamentais sejam direcionadas em favor dos que mais necessitam de apoio no Brasil. O que você pensa sobre esse tipo de pressão? Ela pode ser eficaz na consecução de determinados objetivos?

2.       A propriedade de um imóvel abandonado pode ser usada como argumento para não permitir que pessoas sem moradia o ocupem? A ocupação é a melhor forma de forçar uma tomada de decisão por parte dos governantes?

3.       Você considera os movimentos dos estudantes por transporte mais barato importantes como experiência de participação na definição de políticas públicas para o setor? Você já participou de movimentos desse tipo? Em caso afirmativo, comente sua experiência.

 

TOMAZI, Dacio N. Sociologia para o ensino médio. São Paulo: Atual Editora, 2007. p. 164-165

criado por manoel.pequeno    16:20:53 — Arquivado em: Terceiro Ano

A SOLUÇÃO KANTIANA NO SÉCULO XVIII

A resposta aos problemas do inatismo e do empirismo oferecida pelo filósofo alemão do século XVIII, Immanuel Kant, é conhecida com o nome de “revolução copernicana” em filosofia. Por quê? Qual a relação entre o que propõe Kant e o que fizera Copérnico, quase dois séculos antes do kantismo?

O que diz Kant?

Inatistas e empiristas, isto é, todos os filósofos, parecem ser como astrônomos geocêntricos, buscando um centro que não é verdadeiro. Qual o engano dos filósofos? Considerar que o conhecimento se inicia tendo como ponto de partida a realidade: no caso dos inatistas, como Descartes, a realidade inicial é o interior, o espírito, a alma humana, que Descartes chama de “coisa pensante” ou “substância pensante”; no caso dos empiristas, a realidade inicial é exterior, o mundo ou a natureza.

Ora, diz Kant, “o ponto de partida da filosofia não pode ser a realidade (seja interna, seja externa), e sim o estudo da própria faculdade de conhecer ou o estudo da razão”. De fato, os filósofos anteriores, em lugar de, antes de tudo, estudar o que é a própria razão e indagar o que ela pode e o que ela não pode conhecer, o que é a experiência e o que ela pode ou não pode conhecer; em vez, enfim, de procurar saber o que é conhecer, o que é pensar e o que é a verdade, preferiram começar dizendo o que é a realidade (a natureza e o espírito humano), afirmando que ela é racional e que, por isso, pode ser inteiramente conhecida pelas idéias da razão. Colocaram a realidade ou os objetos do conhecimento no centro e fizeram a razão, ou o sujeito do conhecimento, girar em torno dela.

Façamos, pois, uma revolução copernicana em filosofia, escreve Kant em sua obra Critica da razão pura: até agora, julgava-se “que nosso conhecimento devia ser regulado pelos objetos”, mas agora devemos “admitir que os objetos devem regular-se pelo nosso conhecimento”.

Copérnico, escreve Kant, “não completou sua explicação, ela foi completada e corrigida por Kepler e Newton, que mostraram que o que ele julgava ser uma boa hipótese era, realmente, a verdadeira e necessária explicação astronômica”. À maneira copernicana, prossegue Kant, “demonstremos também de maneira universal e necessária, que os objetos se adaptam ao conhecimento e não o conhecimento aos objetos”. Ou seja, comecemos colocando no centro a própria razão.

Não é a razão a Luz Natural? Não é ela o sol que ilumina todas as coisas e em torno do qual tudo gira? Comecemos, portanto, pela Luz Natural no centro do conhecimento. Comecemos, então, pela razão, porque, por meio de seu estudo, compreenderemos o que são o sujeito do conhecimento e o objeto do conhecimento. Comecemos pela crítica da razão pura.

Por que crítica? Com essa palavra, Kant quer dizer que não serão examinados os conhecimentos que a razão alcança, e sim as condições nas quais o conhecimento racional é possível. Por que pura? Porque se trata do exame da razão antes e sem os dados oferecidos pela experiência.

Escreve ele que a crítica não é a crítica de livros e de sistemas filosóficos, e sim da própria faculdade da razão em geral, considerada em todos os conhecimentos que pode alcançar sem se valer da experiência. Ou seja, é verdade que todos os nossos conhecimentos começam com a experiência, mas não é verdade, que todos eles provenham dela.

Como o estudo se referem as condições necessárias e universais de todo o conhecimento possível antes da experiência e sem os dados da experiência, tal estudo não é empírico. Ou seja, é a priori, e não a posteriori. Kant diz que ele é transcendental, explicando que chama de transcendental “todo conhecimento que, em geral, se ocupa menos dos objetos e mais do nosso modo de conhecer, na medida em que este deve ser a priori“.

CHAUI, Marilena. Filosofia série novo ensino médio. São Paulo: Editora Ática, 2008. p. 90-91

ROTEIRO DE ESTUDOS

1)    Diferencie o juízo analítico do juízo sintético?

Como Kant faz a conciliação do Racionalismo com o Empirismo?

criado por manoel.pequeno    16:14:18 — Arquivado em: Primeiro Ano, Segundo Ano, Terceiro Ano

ROTEIRO DE ESTUDOS: A RAZÃO: INATA OU ADQUIRIDA?

1) Qual a diferença básica entre o racionalismo do século XVII e o empirismo do século XVIII?

2) Descreva suscintamente como o filósofo David Hume entende o verdadeiro conhecimento.

criado por manoel.pequeno    16:01:37 — Arquivado em: Primeiro Ano, Segundo Ano, Terceiro Ano

A RAZÃO: INATA OU ADQUIRIDA?

Inatismo ou empirismo?

De onde vieram os princípios racionais? De onde veio a capacidade para a intuição e para o raciocínio? Nascemos com eles? Ou nos seriam dados pela educação e pelo costume? Seriam algo próprio dos seres humanos, constituindo a natureza deles, ou seriam adquiridos pela experiência?

Durante séculos, a Filosofia ofereceu duas respostas a essas perguntas. A primeira ficou conhecida como inatismo e a segunda, como empirismo.

O inatismo afirma que ao nascermos trazemos em nossa inteligência não só os princípios racionais mas também algumas idéias verdadeiras, que, por isso, são idéias inatas. O empirismo, ao contrário, afirma que a razão, com seus princípios, seus procedimentos e suas idéias, é adquirida por nós pela experiência. Em grego, experiência se diz empeiria, donde, empirismo, conhecimento empírico, isto é, conhecimento adquirido por meio da experiência.

Do lado do inatismo, o problema pode ser formulado da seguinte maneira: visto que são inatos, os princípios e as idéias da razão são verdades intemporais que nenhuma experiência nova poderá modificar. Ora, a história (social, política, científica e filosófica) mostra que idéias tidas como verdadeiras e universais não possuíam esta validade e foram substituídas por outras. Mas, por definição, uma idéia inata é sempre verdadeira e não pode ser substituída por outra. Se for substituída, então não era uma idéia verdadeira e, não sendo uma idéia verdadeira, não era inata.

Do lado do empirismo, o problema pode ser formulado da seguinte maneira: a racionalidade ocidental só foi possível porque a filosofia e as ciências demonstraram que a razão é capaz de alcançar a universalidade e a necessidade que governam a própria realidade, isto é, as leis racionais que governam a natureza, a sociedade, a moral, a política.

Ora, a marca própria da experiência é a de ser sempre individual, particular e subjetiva. Se o conhecimento racional for apenas a generalização e a repetição para todos os seres humanos de seus estados psicológicos, derivados de suas experiências, então o que chamamos de filosofia, de ciência, de ética, etc. são nomes gerais para hábitos psíquicos, e não um conhecimento racional verdadeiro de toda a realidade, tanto a realidade natural quanto a humana.

Problemas dessa natureza, frequentes na história da Filosofia, suscitam, periodicamente, o aparecimento de uma corrente filosófica conhecida como ceticismo, para o qual a razão humana é incapaz de reconhecer a realidade e por isso deve renunciar à verdade. O cético sempre manifesta explicitamente dúvidas toda vez que a razão tenha pretensão ao conhecimento verdadeiro do real.

CHAUÍ, M. Convite à Filosofia. 13. ed. São Paulo: Ática, 2006. p. 69-74

criado por manoel.pequeno    15:55:14 — Arquivado em: Primeiro Ano, Segundo Ano, Terceiro Ano

ROTEIRO DE ESTUDOS: TEORIA DO CONHECIMENTO - ARISTÓTELES

1) Elabore três silogismos aristotélicos.

2) Por que, para Aristóteles, a teoria do conhecimento de Platão não era válida?

3) Qual o nome que se dá a forma de raciocínio que pressupõe a utilização de conceitos articulados em proposições?

criado por manoel.pequeno    15:33:43 — Arquivado em: Terceiro Ano

TEORIA DO CONHECIMENTO - ARISTÓTELES

Da causa material à causa final

Josué Cândido da Silva*
Especial para a Página 3 Pedagogia & Comunicação

Apesar de ter sido discípulo de Platão durante vinte anos, Aristóteles (384-322 a.C.) diverge profundamente de seu mestre em sua teoria do conhecimento. Isso pode ser atribuído, em parte, ao profundo interesse de Aristóteles pela natureza (ele realizou grandes progressos em biologia e física), sem descuidar dos assuntos humanos, como a ética e a política.

Para Aristóteles, o dualismo platônico entre mundo sensível e mundo das idéias era um artifício dispensável para responder à pergunta sobre o conhecimento verdadeiro. Nossos pensamentos não surgem do contato de nossa alma com o mundo das idéias, mas da experiência sensível. “Nada está no intelecto sem antes ter passado pelos sentidos”, dizia o filósofo.

Isso significa que não posso ter idéia de um teiú sem ter observado um diretamente ou por meio de uma pesquisa científica. Sem isso, “teiú” é apenas uma palavra vazia de significado. Igualmente vazio ficaria nosso intelecto se não fosse preenchido pelas informações que os sentidos nos trazem.

Mas nossa razão não é apenas receptora de informações. Aliás, o que nos distingue como seres racionais é a capacidade de conhecer. E conhecer está ligado à capacidade de entender o que a coisa é no que ela tem de essencial. Por exemplo, se digo que “todos os cavalos são brancos”, vou deixar de fora um grande número de animais que poderiam ser considerados cavalos, mas que não são brancos. Por isso, ser branco não é algo essencial em um cavalo, mas você nunca encontrará um cavalo que não seja mamífero, quadrúpede e herbívoro.

O papel da razão

Conhecer é perceber o que acontece sempre ou freqüentemente. As coisas que acontecem de modo esporádico ou ao acaso, como o fato de uma pessoa ser baixa ou alta, ter cabelos castanhos ou escuros, nada disso é essencial. Aristóteles chama essas características de acidentes.

O erro dos sofistas (e de muita gente ainda hoje) é o de tomar algo acidental como sendo a essência. Através desse artifício, diziam que não se pode determinar quem é Sócrates, porque se Sócrates é músico, então não é filósofo, se é filósofo, então não é músico. Ora, Sócrates pode ser várias coisas sem que isso mude sua essência, ou seja, o fato de ser um animal racional como todos nós.

Mas como nós fazemos para conhecer a definição de algo e separar a essência dos acidentes? Aí está o papel da razão.

A razão abstrai, ou seja, classifica, separa e organiza os objetos segundo critérios. Observando os insetos, percebo que eles são muito diferentes uns dos outros, mas será que existe algo que todos tenham em comum que me permita classificar uma barata, um besouro ou um gafanhoto como insetos? Sim, há: todos têm seis pernas. Se abstrairmos mais um pouco, perceberemos que os insetos são animais, como os peixes, as aves…

Ato ou potência

E poderíamos ir mais longe, separando o que é ser, do que não é. E aqui chegamos à outra grande contribuição de Aristóteles: se o ser é e o não-ser não é, como dizia Parmênides, então como é possível o movimento?

Segundo Aristóteles, as coisas podem estar em ato ou em potência. Por exemplo, uma semente é uma árvore em potência, mas não em ato. Quando germina, a semente torna-se árvore em ato. O movimento é a passagem do ato à potência e da potência ao ato.

Qual a causa?

Por outro lado, se as coisas mudassem completamente ao acaso, não poderíamos conhecê-las. Conhecer é saber qual a causa de algo. Se tenho uma dor de estômago, mas não sei a causa, também não posso tratar-me. Conhecendo a causa é possível saber não só o que a coisa é, mas o que se tornará no futuro. Pois, se determinado efeito se segue sempre de uma determinada causa, então podemos estabelecer leis e regras, tal como se opera nos vários ramos da ciência.

Existem quatro tipos de causas: a causa final, a causa eficiente, a causa formal e a causa material. Por exemplo, se examinarmos uma estátua, o mármore é a causa material, a causa eficiente é o escultor, a causa formal é o modelo que serviu de base para escultura e a causa final é o propósito, que pode ser vender a obra ou enfeitar a praça.

Há uma hierarquia entre as causas, sendo a causa final a mais importante. A ciência que estuda as causas últimas de tudo é chamada de filosofia. Por isso, a tradição costuma situar a filosofia como a ciência mais elevada ou mãe de todas as ciências, por ser o ramo do conhecimento que estuda as questões mais gerais e abstratas.

*Josué Cândido da Silva é professor de filosofia da Universidade Estadual de Santa Cruz em Ilhéus (BA).

criado por manoel.pequeno    15:26:59 — Arquivado em: Terceiro Ano

DICAS DE COMO ESTUDAR 1

Instruções iniciais no estudo da filosofia

Observe as instruções dos professores, as opiniões dos colegas, e, aos poucos, provavelmente você encontrará um modo próprio de estudar que se aproxima de seu modo de ser.
Vamos a um exemplo: Leonard Bloomfield, em sua mais importante obra, Language, de 1933, entendia que o estudo da linguagem deveria ser empírico, preciso, objetivo; para ele, o objetivo da lingüística repousaria na elucidação científica da língua. Em um instante localizado em uma época, seria necessário determinar a estrutura semântica, gramatical e fonológica dessa língua, e isso se faria através de um procedimento descritivo.

Enfoques mudam com o tempo

Lembre-se de que cada época, cada país e cada região, cada escola, cada professor, a situação na qual determinada matéria é estudada, cada circunstância possibilita enfoques que mudam com o tempo. Assim, uma mesma matéria tem a interpretação e o sentido mudados na história. O que você estuda em Filosofia agora é o enfoque do momento.
Exemplo: Abelardo pensava que a mente humana seria capaz de alcançar o verdadeiro conhecimento natural; por isso, pregava a pesquisa crítica das Escrituras à luz da razão. Foi duramente atacado por isso.
Abelardo foi um precursor do racionalismo francês.

Contexto da obra

Ao se aproximar do pensamento de um filósofo lembre-se do contexto, da vida do filósofo, a quem foi endereçado seu escrito, o que ele quis tratar, de que maneira trabalhou o texto, e ainda outros elementos que possam ser relevantes.
Tomemos como exemplo Julio Cortázar, os países onde viveu, sua resistência ao peronismo. Cortázar transita entre o que é concreto e real e o devaneio, um exemplo do que se convencionou como ficção fantástica.
Em seu escrito Rayuela, de 1960, o escritor usa a pesquisa, é audacioso, os capítulos do livro burlam a ordem, trocam a cronologia, os eventos. Tudo isso ocorre como exemplo do próprio personagem que procura desorientar seu intelecto como modo de atingir algo distante e diferente das “categorias tranqüilizadoras” da razão.
A obra de um filósofo é algo que se insere em sua historicidade. Ainda que possa ser compreendida por si somente, os elementos de uma costumam ganhar complementos e explicações na constituição da outra.

Lúcio Packter, filósofo formado pela PUC-Fafimc, de Porto Alegre

criado por manoel.pequeno    15:16:21 — Arquivado em: Primeiro Ano, Segundo Ano, Terceiro Ano
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