Filosofia e Sociologia

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quinta-feira, 17 de setembro de 2009

A SOLUÇÃO KANTIANA NO SÉCULO XVIII

A resposta aos problemas do inatismo e do empirismo oferecida pelo filósofo alemão do século XVIII, Immanuel Kant, é conhecida com o nome de “revolução copernicana” em filosofia. Por quê? Qual a relação entre o que propõe Kant e o que fizera Copérnico, quase dois séculos antes do kantismo?

O que diz Kant?

Inatistas e empiristas, isto é, todos os filósofos, parecem ser como astrônomos geocêntricos, buscando um centro que não é verdadeiro. Qual o engano dos filósofos? Considerar que o conhecimento se inicia tendo como ponto de partida a realidade: no caso dos inatistas, como Descartes, a realidade inicial é o interior, o espírito, a alma humana, que Descartes chama de “coisa pensante” ou “substância pensante”; no caso dos empiristas, a realidade inicial é exterior, o mundo ou a natureza.

Ora, diz Kant, “o ponto de partida da filosofia não pode ser a realidade (seja interna, seja externa), e sim o estudo da própria faculdade de conhecer ou o estudo da razão”. De fato, os filósofos anteriores, em lugar de, antes de tudo, estudar o que é a própria razão e indagar o que ela pode e o que ela não pode conhecer, o que é a experiência e o que ela pode ou não pode conhecer; em vez, enfim, de procurar saber o que é conhecer, o que é pensar e o que é a verdade, preferiram começar dizendo o que é a realidade (a natureza e o espírito humano), afirmando que ela é racional e que, por isso, pode ser inteiramente conhecida pelas idéias da razão. Colocaram a realidade ou os objetos do conhecimento no centro e fizeram a razão, ou o sujeito do conhecimento, girar em torno dela.

Façamos, pois, uma revolução copernicana em filosofia, escreve Kant em sua obra Critica da razão pura: até agora, julgava-se “que nosso conhecimento devia ser regulado pelos objetos”, mas agora devemos “admitir que os objetos devem regular-se pelo nosso conhecimento”.

Copérnico, escreve Kant, “não completou sua explicação, ela foi completada e corrigida por Kepler e Newton, que mostraram que o que ele julgava ser uma boa hipótese era, realmente, a verdadeira e necessária explicação astronômica”. À maneira copernicana, prossegue Kant, “demonstremos também de maneira universal e necessária, que os objetos se adaptam ao conhecimento e não o conhecimento aos objetos”. Ou seja, comecemos colocando no centro a própria razão.

Não é a razão a Luz Natural? Não é ela o sol que ilumina todas as coisas e em torno do qual tudo gira? Comecemos, portanto, pela Luz Natural no centro do conhecimento. Comecemos, então, pela razão, porque, por meio de seu estudo, compreenderemos o que são o sujeito do conhecimento e o objeto do conhecimento. Comecemos pela crítica da razão pura.

Por que crítica? Com essa palavra, Kant quer dizer que não serão examinados os conhecimentos que a razão alcança, e sim as condições nas quais o conhecimento racional é possível. Por que pura? Porque se trata do exame da razão antes e sem os dados oferecidos pela experiência.

Escreve ele que a crítica não é a crítica de livros e de sistemas filosóficos, e sim da própria faculdade da razão em geral, considerada em todos os conhecimentos que pode alcançar sem se valer da experiência. Ou seja, é verdade que todos os nossos conhecimentos começam com a experiência, mas não é verdade, que todos eles provenham dela.

Como o estudo se referem as condições necessárias e universais de todo o conhecimento possível antes da experiência e sem os dados da experiência, tal estudo não é empírico. Ou seja, é a priori, e não a posteriori. Kant diz que ele é transcendental, explicando que chama de transcendental “todo conhecimento que, em geral, se ocupa menos dos objetos e mais do nosso modo de conhecer, na medida em que este deve ser a priori“.

CHAUI, Marilena. Filosofia série novo ensino médio. São Paulo: Editora Ática, 2008. p. 90-91

ROTEIRO DE ESTUDOS

1)    Diferencie o juízo analítico do juízo sintético?

Como Kant faz a conciliação do Racionalismo com o Empirismo?

criado por manoel.pequeno    16:14:18 — Arquivado em: Primeiro Ano, Segundo Ano, Terceiro Ano

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